Tudo pode virar crônica
     
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Locomotiva do Brasil

Maluf, Clodovil, Celso Russomano, Enéas, Frank Aguiar, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto... a eleição para deputado federal diz muito sobre o que é e o que pensa (pensa?) o eleitor paulista.

Triste, muito triste.



Escrito por Damasceno às 01h16
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Preocupações

- Nos ônibus, a menos de três semanas das eleições, não se fala de política.

 

- O São Paulo do pós-Copa do Mundo é muito, mas muito parecido com os times que deram ao clube a fama de pipoqueiro entre 1994-2004.

 

- Estou ficando velho ou a molecada de hoje está absurdamente xarope? Explico: ontem, numa reprise do programa do João Gordo na MTV, um moleque participa de um "show de calouros" se propondo a aspirar uma camisinha pelo nariz. O pior é que conseguiu, sem qualquer dificuldade, e ficou com parte dela saindo pela boca e a outra (com o anel), presa na entrada da narina. "Aprendi a fazer isso na escola", disse.



Escrito por Damasceno às 10h34
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Uma noite bem feliz

Quando adolescente, ouvia diariamente Legião Urbana. Até hoje me pego às vezes com raiva por lembrar que, apesar de gostar tanto da banda naquela época, desperdicei a única chance que tive de assistir a um show ao vivo deles, em 1994, no Ibirapuera.

 

Quando Chico entrou no palco na última sexta-feira, lembrei disso. Na época do show da Legião, imaginava que teria outras oportunidades pra ver Renato Russo e cia., mas não tive. Quanto a Chico, é uma incógnita, pois não se sabe quando ele voltará a lançar um novo disco. Portanto, ao mesmo tempo em que bateu uma felicidade absurda por estar curtindo a sensação de ouvi-lo, foi meio estranho pensar que aquela alegria poderia nunca mais se repetir.

 

Pessimismo de lado, que show fantástico! “O futebol”, “Bye bye Brasil”, “Morena de Angola”, “Quem te viu, quem te vê”, “Deixa a menina”, “João e Maria”, “Mil perdões”... Como disse uma simpática moça no Orkut na semana passada, ele poderia ter cantado até “Capelinha de melão” que não haveria problema.

 

Como é incrível ouvir algumas músicas ao vivo e descobrir certos detalhes que em casa, no carro ou qualquer lugar são imperceptíveis. Alegria pura, vontade de abraçar a todos que estavam tendo a mesma oportunidade, de poder curtir um momento como aquele.

 

Para ler algo mais parecido com uma crítica do show, clique aqui.



Escrito por Damasceno às 14h41
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Tomatina



Já faz uns dez anos que ouço falar da Tomatina, tradicional guerra de tomates que ocorre em Buñol, cidade espanhola perto de Valência. Desde então, todo ano, quando a guerra ocorre, fico doido pra participar desse negócio.

 

A tradição, nascida de uma batalha entre amigos nos anos 1940, ocorre sempre a partir da última quarta-feira de agosto, quando cinco caminhões cheios de tomates maduros circulam pelas principais vias até a praça central, distribuindo a carga.

 

Em 2006, cerca de 40 mil pessoas participaram da guerra (ou da festa) e mais de cem toneladas de tomate foram atirados.

 

Ao ver as fotos, a vontade bateu forte de novo. "Virou projeto de vida", brinquei com o pessoal do trabalho. Mas acho que até estou falando sério...

Escrito por Damasceno às 14h16
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Forró, baião, forró, baião

Hoje começou o Horário Eleitoral Gratuito. O da televisão só vai ao ar às 13h, mas o do rádio pude ouvir no caminho para o trabalho. Um detalhe me chamou a atenção: os jingles de Lula, Alckmin, Cristóvão e HH têm o ritmo de forró ou de baião (admito que não sei diferenciá-los, apenas identifico a batida bacana).

 

Que fique claro: nada contra ritmos nordestinos. O que me intriga é pensar que, além de propostas iguais (as sem sentido não contam), teremos de ouvir também jingles parecidos?

Escrito por Damasceno às 12h42
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Superman e supermen

Uma vez perguntei a amigos se todos eles já quiseram ser, ainda que por instantes, um super-herói. A maioria deles não se contentava em ser o Batman ou o Chapolin Colorado, afinal, já que é para ser super, que seja logo o Superman, com seu poder de voar, visão de raio-x e todos seus super poderes.

 

Ao sair ontem do cinema (adivinhe qual filme fui ver...),  a vontade bateu de novo. Mas é curioso como em cada fase da vida o desejo de ser super vem de maneiras diferentes. Quando criança, em geral, o menino quer ser super para se tornar melhor que os outros, ser o líder da turma. Uns anos depois, a idéia é impressionar as meninas e conquistar a inalcançável "Garotinha ruiva" que todo pirralho já idealizou, tal qual o Charlie Brown.

 

Já às portas dos 18 anos, o desejo de ser super aparece no rastro dos rios de testosterona que exalam sem parar de qualquer rapaz – "imagine quantas piranhas eu pegaria se fosse super", disse certa vez uma amigo mais desbocado.

 

Ontem a vontade de ter super poderes foi inédita e, admito, um tanto quanto piegas. Já imaginou levar a namorada para dar um super passeio por aí? E ajudar os mais necessitados? E impressionar as mocinhas indefesas (não sou de ferro...)? E acertar as contas com certos pilantras da sociedade?

 

Voltando pra casa, ri imaginando que na verdade não seria bom ter tais poderes. Mas também não resisti a pensar no que irá passar pela minha cabeça quando assistir novamente algum filme do Superman daqui a alguns anos. Vontade de voar para não pegar trânsito? Fazer a Terra girar ao contrário para voltar a ser jovem? Ter pessoas queridas por perto de volta?

 

O filme

 

Desejos bobos à parte, "Superman – o retorno" é bem mais legal do que imaginava. Clark Kent se junta a Bruce Wayne entre os supers que, mesmo travestidos de heróis, mantêm seus conflitos psicológicos e demonstram ser realmente humanos, com sentimentos como ciúmes e raiva bem nítidos.

Só mais um detalhe: ao contrário do que muitos disseram, e apesar de gostar muito do trabalho de Kevin Spacey, para mim Gene Hackman ainda é imbatível na pele de Lex Luthor



Escrito por Damasceno às 09h06
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Ainda vivo

Com vergonha e ainda meio sem assunto, eis que este blog volta a respirar. Trabalho novo, teclado novo, mouse diferente, mas aos poucos tento retomar isso aqui. Por ora, só dois assuntos:

Carmen e o tesão de Ruy Castro

"Como um cara consegue reunir tantas informações para fazer um catatau deste tamanho?", pergunta Damasceno-Pai ao folhear "Carmen", de Ruy Castro, largado em alguma canto da sala de casa. Para quem é jornalista ou gosta de livros-reportagem é possível ter uma boa idéia do trabalho que um livro desse porte deve exigir, ainda mais tratando-se de uma personagem morta há mais de 50 anos.

Tentei explicar o pouco que sei a respeito para meu pai, mas não fiquei satisfeito com a resposta. Falei das longas pesquisas que são feitas, das inúmeras entrevistas com pessoas que tiveram alguma relação com a biografada, da alta grana envolvida num projeto como esse, da contratação de "ajudantes" e "colaboradores", do processo de revisão, do apoio de patrocinadores... mas, sobretudo, tentei passar pra ele a dimensão do talento de Ruy Castro.

Além do talento absurdo, dá pra perceber também um baita tesão nos textos de Ruy Castro – e "Carmen" não foge dessa regra. Percebe-se claramente o quanto ele gosta da biografada, mas isso não impede que seja feito um excelente trabalho jornalístico, ao contrário do que muitas vezes se prega nas faculdades. Distanciamento, nesse caso, não é algo imprescindível.

E o tesão de Ruy Castro não é apenas por Carmen Miranda. Ele demonstra ser fascinado pelo RJ das décadas de 20 e 30, pelos artistas que despejavam seus sambas e marchinhas no colo de Carmen, pelos carnavais daquela época... Na fase americana de Carmen, aparece o mesmo sentimento pelo surgimento de ídolos como Sinatra e inúmeras divas do cinema, pelo modo como Carmen conquistou os EUA, pelos musicais de Hollywood...

O tesão de Ruy Castro é inversamente proporcional à raiva pouco contida que ele demonstra em leves pitadas nos capítulos finais, que tratam do casamento de Carmen com um aproveitador americano, das besteiras que ela fez na vida e, sobretudo, nos motivos que a levaram a ter sérios problemas de saúde – que culminaram em sua morte precoce, aos 46 anos.

A leitura é longa (550 páginas), mas para quem já leu algo do Ruy Castro sabe que cada página vale muito a pena. Em tempo: ele escreveu também biografias de Nelson Rodrigues e Garrincha, além de ter escrito "Chega de saudade", a melhor explicação para que não tem noção do que foi e do que representa a bossa nova.

José Silvério

Falar do São Paulo e do iminente triplo tetra é chato e, em respeito aos corintianos, farei silêncio sobre isso. Mas voltar a falar do José Silvério (já falei dele por aqui?) pode criar identificação até mesmo entre os que não estão em tão boa fase quanto nós, são-paulinos.

O gol de Mineiro narrado por ele ontem, na Rádio Bandeirantes, foi daqueles de arrepiar, de deixar os olhos marejados, tamanha a emoção transmitida. Seu "gooooool" é de longe o melhor do rádio e da TV do país, mas quando ele emenda o seu tradicional "e que golaço!!!" dá vontade de sair de casa, ir até o Morumbi e cumprimentá-lo.

Não resisto: que Silvério grite ainda neste anos os três tetras que todo são-paulino espera. De preferência, com golaços.



Escrito por Damasceno às 09h53
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Sobre a Copa

É engraçado como o ato de escrever, mesmo que num modesto blog, gera certos orgulhos e vergonhas. Apesar do interesse que o futebol me desperta, somente dois textos sobre a Copa de 2006 haviam sido publicados neste cantinho. O primeiro lamentava a saída precoce da Argentina e apostava (timidamente, é verdade) na Itália como campeã. O segundo exaltava Zidane, logo após o francês ter comandado sua equipe na partida contra o Brasil.

 

Eis que a Itália conquista o título. Maravilha! Belo palpite! De outro lado, vem Zidane e, justamente em sua partida de despedida, perde o juízo e acerta uma cabeçada em Materazzi. Não retiro uma palavra sobre o que escrevi a respeito dele, mas pelamordedeus!! Vá agir feito moleque depois que se aposentar!! Na hora dos pênaltis, faltou alguém com sua categoria, já que os italianos convertaram suas cinco cobranças.

 

Tesão por copas

 

Todo menino entre sete e dez anos deveria ser obrigado pelo pai a assistir a todos os jogos de ao menos uma copa do mundo – especialmente aqueles que não demonstram muito apreço pelo futebol. Se nem depois de torcer, vibrar, xingar e chorar com pelo menos meia dúzia de jogos o garoto não se interessar por bola, paciência – pelo menos ele teve oportunidade de acompanhar ao menos uma vez o evento esportivo mais bacana de todos, mesmo quanto este é bem menos empolgante do que poderia ser.

 

A Copa de 2006 termina sem vários itens que fazem do futebol algo apaixonante. Sua média de gols foi baixa, nenhum time foi capaz de encantar o mundo, atleta algum ficará para sempre com sua imagem associada a este Mundial (como Romário em 94 ou Maradona em 86), o artilheiro (Klose) está longe de ser um craque e me arrisco a dizer que apenas dois jogos foram realmente emocionantes (Portugal x Holanda e Itália x Alemanha). Pode parecer contraditório, mas o raciocínio do parágrafo anterior se confirma: apesar de tudo isso, ver mais uma copa foi bom pra cacete.

 

Tetras

 

Que beleza!! O tetracampeonato da Itália é um presságio. Anotem: depois dos italianos, agora é a vez do Tricolor ganhar o triplo tetra neste ano. Libertadores, Brasileirão e Mundial vêm aí, torcida brasileira!!!

Escrito por Damasceno às 18h39
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Um aplauso

Sim, isso mesmo! Um aplauso para Zinedine Zidane, o único em campo na partida entre Brasil e França que jogou o suficiente para honrar o nome que tem.

Um aplauso para Zinedine Zidane, o único jogador da Copa de 2006 que ainda pode levantar a taça, na condição de capitão, pela segunda vez.

Um aplauso para Zinedine Zidane, por ser o único famoso em campo a dar à bola o tratamento que ela merece.

Um aplauso para Zinedine Zidane pelo bem que ele faz ao futebol.

Um aplauso para Zinedine Zidane pelos dois chapéus aplicados em campo na vitória contra o Brasil.

E, por fim, uma lágrima para a iminente aposentadoria de Zinedine Zidane, que fará na próxima semana suas duas últimas partidas como jogador profissional.



Escrito por Damasceno às 19h41
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Como se fala 'burro' em espanhol?

Em espanhol é "burro" mesmo, mas em "argentino" a tradução para o dia de hoje é "José Pekerman". "Cobarde" e "miedoso" também servem para ele, o grande responsável pela desclassificação da Argentina, nos pênaltis, diante da Alemanha.

A Argentina ganhava o jogo por 1 a 0 e tinha todos os elementos necessários para atrair a Alemanha e fazer 2 a 0 num contra-ataque. Mas não. Pekerman achou melhor, aos 20 e poucos do segundo tempo, tirar Crespo e Riquelme de campo para reforçar a marcação, deixando apenas Tévez no ataque. Por melhor que o corintiano seja, milagres ele não faz.

Dá mais raiva ainda pensar que Saviola e Messi poderiam ter entrado descansados...

Dá mais raiva ainda pensar que Brasil x Argentina seria uma final incrível, com tudo para ser um dos maiores jogos da história das copas.

Dá mais raiva ainda ver e ouvir, depois da vitória alemã, o velho papo de que a Copa de 2006 já está ganha antecipadamente. Vai ver que "compraram" Ayala e Cambiosso e ambos erraram seus pênaltis. Ô papinho que não leva a nada!

Ainda sobre a Copa...

- Posso queimar a língua daqui a menos de duas horas, mas ninguém fala nada da Itália e devagarinho ela vem vindo, vem vindo...

- Brasil x França está com uma cara de França x Brasil de 1998...



Escrito por Damasceno às 16h08
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As quartas-feiras musicais do SBT

Confesso: faz duas semanas seguidas que assisto a “Ídolos” e “Rei Majestade” no SBT. Mas não é simplesmente ver, e sim acompanhar com atenção, curiosidade e, por que não?, até gostando de alguma coisa ou outra.

 

Eu já tinha visto trechos dos dois programas em outras oportunidades, mas sempre zapeando durante os intervalos de outras emissoras. O que me motivou a ver por duas quartas-feiras seguidas os dois programas foi uma dúvida: por que causa, motivo, razão ou circunstância Silvio Santos colocou em seqüência esses dois programas, cujos términos devem culminar na gravação de alguns CDs.

 

Alguma coisa deve ter. Apesar de o SBT estar em baixa, o homem ainda manja muito do que faz. No primeiro, o público escolhe um novo ídolo. No segundo, resgata um antigo ídolo. Ao final, dois nomes ficarão em evidência. O que será feito com eles?

 

Mistérios à parte, “Rei Majestade” é muito mais divertido do que “Ídolos”. Qualidade há nos dois, embora os repertórios escolhidos nos dois programas não encham os ouvidos. Ver tiozinhos em fim de carreira tendo contato novamente com as câmeras é muito legal, assim como rever gente como Perla e Sarajane em ação. Já em relação aos novatos, é bacana acompanhar a evolução de algum cantor ou cantora que daqui a alguns meses provavelmente estará fazendo um considerável sucesso.

 

Mas fica a dúvida: o que SS aprontará com os vencedores dos dois programas?



Escrito por Damasceno às 14h10
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Medo de livros

Alguns livros me causam medo. E ponto. É uma sensação meio humilhante, como ter medo de cachorro ou de ficar em lugares fechados, mas acontece comigo.

 

Essa sensação é recente, e “Crime e Castigo” simboliza o medo que tenho atualmente por alguns livros. Já faz quase dois anos que o comprei, mas ele segue grande e belo em minha fila de livros, na estante bem à frente de minha cama – posição estrategicamente torturante, pois não há como não notá-lo diariamente, esperando para ser folheado, consumido, admirado...

 

O medo do livro mais famoso de Dostoievski se dá por dois motivos: 1) todos amigos e conhecidos que o leram sempre fazem uma cara de “meu, é muito foda!” quando pergunto sobre a história; 2) todos os outros livros “muito foda” por unanimidade tiveram influência maior ou menor, fizeram com que eu passasse ou deixasse de ler certas coisas. Pensando bem, talvez não sejam motivos para ter medo, mas é o que acontece.

 

Isso já aconteceu (em menor dimensão) na transição dos gibis para os livros, da passagem entre livros juvenis para romances adultos e bateu pesado quando comecei a ler as obras de jornalistas que escrevem pra cacete – até hoje dá uma tristeza tremenda saber que nunca escreverei como Ruy Castro ou Gay Talese, só pra ficar entre os preferidos.

 

Um tanto quanto cagão, resolvi ir experimentando Dostoievski aos poucos: comecei por um conto chamado “Uma História Lamentável” e terminei há pouco tempo o romance “Um Jogador”. Ambos muito bons, dão a dimensão da qualidade que me espera em “Crime e Castigo”. Pelas minhas contas, ele é o terceiro da fila, mas se me conheço só devo pegá-lo lá para setembro. Que o medo diminua até lá...



Escrito por Damasceno às 13h52
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Uma lágrima

Porra, levantar no sábado, ligar o computador e ficar sabendo que o Bussunda morreu estragou meu dia.

Humoristas são caras que deviam morrer velhinhos, quando já nos fizeram rir até enjoar de suas caras engraçadas, de suas tiradas, de suas piadas bobas...

Com 43 então, é piada de péssimo gosto, sem graça nenhuma.

Como vamos aguentar mais quatro anos de Lula sem o Bussunda pra imitá-lo? E nestes quase 20 dias que restam de Copa, quem imitará Ronaldo e seus quilos a mais com tamanha perfeição? E o seringueiro que vivia de tirar leite de pau, como fica? E as propagandas da BOA? E o Tabajara? Fala sério...



Escrito por Damasceno às 12h25
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Na verdade...

De tempos em tempos, alguma expressão ou frase de efeito cai na boca das pessoas – ou ao menos das pessoas com quem convivo. Há alguns anos foi a época do “não-sei-o-que-lá”, sempre dito quando alguém estava contando uma história ou fofoca das boas. Depois, veio o irritante “entendeu?” ao final de cada frase, por mais que a mesma frase não tivesse nada para ser compreendido. Atualmente, a bola da vez é “na verdade”.

 

O “não-sei-o-que-lá” demonstrava falta de informação complementar e, em alguns casos, falta de jeito pra contar uma boa história, com um término legal e interessante. O “entendeu?” sempre me soou agressivo (quase como se eu fosse incrivelmente burro), enquanto o recente “na verdade” me parece pedante, esnobe, por mais que a intenção de meu interlocutor não seja essa.

 

Comecei a reparar no “na verdade” durante as aulas da pós-graduação. Com freqüência a palavra era dada a algum dos alunos. Somente no último sábado e na última segunda-feira contei sete “na verdade” ditos por colegas, sempre antecedendo algum comentário que necessitava de forte argumentação para ser sustentado. Em quase todos eles, no entanto, o “na verdade” inicial das frases não se justificou, pois suas opiniões não encerraram o assunto e tampouco foram boas o bastante pra convencer o restante da classe.

 

Essas pragas de linguagem surgem sabe-se lá de onde e se propagam de um jeito impressionante. Somente nesta semana, depois que comecei a reparar com mais atenção nas pessoas, já me peguei falando “na verdade” duas vezes, ambas quando fui sustentar um argumento. Me corrigi a tempo de dizer “na minha opinião” e “eu acho que”, mas não deixei de ficar incomodado. Na verdade isso é mais chato do que não-sei-lá-o-que, mas não quero discutir isso com mais profundidade, entendeu?



Escrito por Damasceno às 17h06
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Memórias afetivas (ou não) de copas do mundo

A primeira lembrança que tenho de copas do mundo vem de 1986, quando eu tinha quase seis anos. Já gostava de futebol e ia com freqüência ao Estádio do Morumbi (as tardes de domingo na casa do Tricolor merecem um outro texto), mas o que mais me animava durante o Mundial do México eram as figurinhas do torneio. Cada vez que meu pai chegava com novos pacotinhos era uma felicidade incrível, assim como a meleca que era feita com a cola e o jogo de bafo com os amigos da rua.

 

Dentro de campo, a primeira lembrança que me vem à cabeça é o pênalti perdido por Zico nas quartas-de-final contra a França. No entanto, por mais que eu me concentre, não consigo lembrar da reação das pessoas à minha volta – assim como quem eram as pessoas que estavam em casa na ocasião.

 

Acho que o jogo contra a França foi também a primeira decisão por pênaltis que acompanhei com atenção. Não entendi direito aquela derrota. Creio que não saquei exatamente o que eram quartas-de-final, assim como não tinha tanta noção do que a derrota representava, já que desde 1970 o Brasil não ganhava a competição.

 

Em 90 a história foi diferente. É bacana pensar como a sua vida sofre transformações a cada copa do mundo. A derrota para a Argentina nas oitavas-de-final dessa vez foi doída, mas eu sabia que eles eram os atuais campeões do mundo e imaginei que, de fato, os melhores teriam que vencer. A Argentina tinha Maradona, jogador que eu sempre gostava de ver ao lado do ídolo Careca nos jogos do Campeonato Italiano, com as inesquecíveis transmissões do Silvio Luiz.

 

Apesar do talento de Maradona, o jogador da Copa de 90 para mim foi Marius Lacatus, da Romênia. Fiquei atrás dele por quase um mês, pois era a sua cara feia que faltava para completar meu álbum de figurinhas. Um belo dia, voltando para casa, vi uns conhecidos da escola jogando bafo. Ao chegar perto dos meninos,  lá estava ele, Lacatus, à frente de todo o bolo de figurinhas que seria espalmado. Não tive dúvidas: saquei da mochila mais de 30 figurinhas e troquei-as pelo romeno.

 

Veio 1994 e finalmente minha geração pôde ver o Brasil campeão. Era época da turma da Rua Dias Vieira, 8ª série, festinhas e coisa e tal. Brasil à parte, me vem à cabeça o goleiro da Bélgica, Michel Preud’Homme, e suas sensacionais defesas. Nada como poder ver uma Copa sossegado, sem ter que trabalhar, podendo tentar imitar as jogadas mais bonitas assim que as partidas acabavam...

 

Em 1998, a primeira lembrança é raivosa. Trabalhando no suporte técnico da Five Star, não foi permitido pelo nosso infeliz chefe, Eduardo Naufal, assistir à estréia do Brasil contra a Escócia. O jeito foi improvisar e instalar uma placa de TV no computador. Vi o jogo, mas não pude comemorar nenhum gol. Nos jogos seguintes a atitude babaca não se repetiu.

 

O jogo daquela Copa foi a semifinal entre Brasil e Holanda. Infelizmente as TVs raramente passam o lance mais bonito do Mundial: já na prorrogação, Ronaldo pegou a bola no meio-campo e deu uma daquelas suas arrancadas incríveis. Parecia gol certo, até que o volante Seedorf ligou o turbo e o alcançou de modo impressionante, impedindo o desempate. Depois disso, mais uma decisão nos pênaltis, mais uma final com a presença do Brasil.

 

O dia da final merece um parágrafo à parte. Creio que foi uma das raríssimas vezes em que todos os Homellets se reuniram para ver um jogo de futebol – apesar de o futebol ser o principal motivo que nos tornava um grupo fechado. Antes da final, churrasco e ping-pong na casa do Carlos. Durante a partida, duas tragédias: os 3 a 0 enfiados pela França e a reação cômico-raivosa do anfitrião a cada gol sofrido. Só quem estava lá lembra...

 

Veio 2002 e parecia tudo certo: trabalhando na Gazeta Esportiva e fazendo faculdade, imaginava que estava dando início a uma bela carreira no jornalismo esportivo. Menos de um ano depois eu já havia mudado de idéia quanto aos meus rumos profissionais, mas aquele mês na redação foi muito legal.

 

Jogos de madrugada, café-com-leite no lugar de cerveja, pão quente ao invés de churrasco. Devido à escala de horários na Gazeta, pude ver a final em casa, com minha avó ao lado no sofá. Palmeirense discreta, nunca havia visto dona Maria Francisca vibrando e batendo palmas daquela forma. Os dois gols de Ronaldo me fizeram conhecer uma avó que eu não imaginava, capaz de sofrer e ir ao êxtase com futebol, apesar da idade já avançada. Alguns meses depois ela veio a falecer, e essa é a lembrança mais bacana que guardo dela, além do delicioso e inigualável frango de panela que só suas mãos sabiam fazer.

 

Em 2006, desconfio que quem mais vai curtir a Copa é Damasceno-Pai. Aposentado desde o ano passado, finalmente ele poderá ver todos os jogos que quiser, primazia que nunca pôde ter devido aos horríveis horários em que trabalhava (sábados e domingos inclusive). É muito legal também ver o brilho nos olhos dos amigos que gostam de futebol, a poucos dias de começar a competição. Sem saber definir direito a sensação que bate em nós a cada quatro anos, o que mais ouço é um simples e direto “Copa é bom demais, né?”. Bota bom nisso!

Escrito por Damasceno às 14h45
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