O restaurante do Primo

Almoçar na região da Vila Hamburguesa não é tarefa das mais fáceis... para pessoas frescas. Minhas simpáticas colegas de trabalho são a prova disso. Elas preferem gastar bem mais do que seus tickets para comer em lugares legais, desprezando o estabelecimento mais bacana do bairro: o restaurante do Primo.
O Primo em si é merecedor de um parágrafo. Cearense, sempre com um sorriso pronto, educado como poucos, afável com as mulheres. Vestido religiosamente com um aventalzão azul, às vezes está meio suado, freqüentemente com a mão molhada. Detalhes. É impressionante o poder que ele tem de fazer os fregueses voltarem a seu restaurante, que na verdade é um misto de botecão com casa de PFs.
À primeira vista (e à segunda também, admito), realmente é difícil não torcer o nariz ao entrar no restaurante do Primo. O lugar é meio escuro, não prima (com o perdão do trocadilho) pela higiene absoluta, o piso é meio melado, a cozinha fica bem escondida, mas o que importa pra mim é comida boa, a um preço justo e em quantidade farta. Bingo!
A má impressão causada pelo cenário do restaurante foi embora depois do primeiro filé de frango que comi por lá. Depois descobri a tática do Primo: sempre que ele vê que um sujeito ainda não conhece sua comida, capricha de forma absurda no pedido. Comigo não foi diferente. Era completamente anormal o tamanho do filé que o cara me serviu. Ganhou um cliente novo sem fazer esforço.
Apesar de todos meus elogios à comida do Primo, tem um detalhe que me faz escrever hoje – sexta-feira – sobre seu restaurante: o filé de peixe que ele faz. Puta merda! Aquilo é bom demais. Você que estiver passando na hora do almoço perto do Cemitério da Lapa numa sexta-feira dessas, procure se informar onde fica o Restaurante do Primo. Não se arrependerá!
A história do filé de peixe foi mais uma das boas sacadas do Primo. Certa vez, há alguns meses, eu comi o peixe que ele fazia e odiei. Ele percebeu, pois nunca mais pedi. No começo deste ano o cara chegou todo malandro e soltou essa: “Eu sei que você gosta de peixe. Troquei de fornecedor e agora ficou uma delícia. Pode comer. Se não gostar, não paga”. Topei o desafio e me dei muito bem, apesar de ter pago a conta.
Para os que realmente ficaram interessados, aí vai uma sugestão básica para uma semana inteira de almoços balanceados e saborosos, sempre a preços justos:
Segunda-feira Virado à Paulista – R$ 6,00
Terça-feira Calabreza com fritas – R$ 5,50
Quarta-feira Feijoada pequena – R$ 7,00 ou média – R$ 9,00
Quinta-feira Filé de frango com fritas – R$ 5,50
Sexta-feira Filé de peixe com purê de batata – R$ 6,00
Escrito por Damasceno às 17h31
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Que vergonha!! Tenho um blog!!
Sempre achei blogs algo completamente estranho. "Coisa de quem não tem o que fazer", "Coisa de bobo", pensava. Talvez eu não esteja totalmente errado. Talvez eu nem goste de colocar textos novos sempre que me sobrar um tempo. Mas após ler uns quatro ou cinco blogs por aí, acabei me animando a ter o meu, com uma condição: procurar colocar em formato de crônica tudo o que vier a escrever. Quando estiver difícil, a saída será recorrer ao bom e velho Aurélião e lembrar: crônica [Do lat. chronica (nom. pl.).] S. f. 1. Narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica. 2. Genealogia de família nobre. 3. Pequeno conto de enredo indeterminado. 4. Texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal, e que tem como temas fatos ou idéias da atualidade, de teor artístico, político, esportivo, etc., ou simplesmente relativos à vida cotidiana.
Escrito por Escrito por Damasceno às 12h35
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