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Quem dera...

A crônica do Cony na Ilustrada de hoje fala, em certo momento, da mãe do Oscar. "Uma vaca que gosta de rapazes e papa todos, até o menino que traz o pão", segundo um dos personagens do texto. Na mesma hora veio à cabeça a mãe de uma colega que não vem ao caso aqui dizer o nome. Aliás, faz muito tempo que não vejo nenhuma das duas, mas mesmo assim é melhor não citar nomes.
Infelizmente a tal mãe não papou nem a mim nem a nenhum de meus colegas. É certo que éramos bem moleques - com 14 anos mais ou menos - e dificilmente ela nos daria bola realmente. Apesar disso, os olhares dela e as roupas que vestia quando estava à vontade em casa nos enchiam de esperança. Muitas vezes nem queríamos muito papo com sua filha (que também não era de se jogar fora), mas só a oportunidade de admirar aquele monumento balzaquiano já nos satisfazia.
Nosso clímax em relação à dona &*!?{ aconteceu numa tarde de domingo, à noitinha. Tocamos a campainha da casa dela para batermos papo com sua filha. Ela nos atendeu com um belo sorriso e um decote à la Monroe, mas disse que a %$**( não estava. Já estávamos virando as costas e dizendo um "voltamos depois" quando ela nos interrompe: _ Não querem entrar e esperar um pouco? Daqui a uns 20 minutinhos ela está de volta.
Uau!! Sozinhos em casa com aquela deusa divorciada. Era a chance que queríamos. Mas moleque nessa idade é muito bobo, mas muito bobo mesmo. Ela não nos provovou nem fez nada parecido, manteve-se super comportada, com uma postura até mais séria do que a de costume, mas os dois ficamos lá, sem saber o que dizer direito, gaguejando e sem saber onde colocar as mãos, como mexer os braços, quando falar algo inteligente ou ficar quieto.
Foram 20 e poucos minutos intermináveis. Passava um filme estranho na TV e, pouco antes de nossa colega chegar, sua mãe havia acabdo de nos servir um suco com bolachas. A presença de $%&$& na sala quebrou um baita gelo, mas ficamos pouco tempo por lá e fomos dar uma volta pelo bairro.
Ainda bem que, aparentemente, ###$*&% nunca percebeu nossas esperanças em relação à sua mãe. Vez por outra ela até comentava que achava estranho ela não ter nenhum namorado, que talvez uma companhia fizesse bem a ela. Nessas horas nós, na flor da adolescência e com a testosterona transbordando, apenas nos entreolhávamos com caras de "quem dera, quem dera...".
Escrito por Damasceno às 13h16
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E o tri, vem neste ano?

Hoje é dia de jogo do São Paulo na Libertadores. Contra um tal de LDU, do Equador. Por mais que eu não queira, jogo de Libertadores é muito complicado, já que a primeira coisa que vem à cabeça não é boa: a final de 1994, quando nos demos mal, no Morumbi, ao perder nos pênaltis pro Velez.
O tricampeonato naquela noite era dado como algo muito certo. O time já não era como aqueles dos títulos de 92 e 93, mas o sentimento geral era de que a taça era nossa. O cortejo de quase 100 mil são-paulinos deixando o Morumbi naquela noite foi das cenas mais melancólicas que já vi. Um silêncio que chegava a doer no ouvido. Apenas um "Palhinha filho da puta" escapava de vez em quando, num tom meio choroso/meio raivoso, em referência ao cara que perdeu o pênalti e calou uma multidão de moleques.
Moleques, sim. A geração que cresceu vendo o São Paulo ganhar tudo o que vinha pela frente estava em peso no Morumbi. Damasceno-Pai sempre fala que ficou mais triste pela molecada que estava no estádio do que pela derrota. Lembro do esforço que fiz pra não chorar na frente dele, enquanto íamos pra casa. Até que segurei bem. Mas em casa não deu. Sozinho no banheiro vieram poucas lágrimas de raiva. Coisa estranha... como é que se cria afeição, amor e outros sentimentos por um time? Já desisti de tentar entender isso.
A vingança veio no dia seguinte, mesmo sem que eu tenha participado diretamente dela. Vingança bem boba, é verdade. Eu era da oitava série na época e no dia seguinte fui pra aula normalmente. Gozação generalizada. Até que aparece no pátio, na hora do intervalo, um nanico da sétima série com uma camisa justamente do Velez. Não tenho a menor idéia de onde o cara tirou aquilo. Tia Tereza, a inspetora, bem que tentou segurar a massa furiosa, mas não conseguiu. O baixinho voltou pra casa sem camisa e com uns bons tapas na cabeça. E a sala da diretoria ficou cheia.
Escrito por Damasceno às 14h18
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Olheiras

Dia desses, conversando com minha amiga Renata, do Espanhol, a gente ficou reparando na cara de sono com que as pessoas chegam pro curso, todo sábado. Pudera. Estudar às 9 da madrugada no final de semana é complicadíssimo, ainda mais se rola balada na sexta.
Depois desse papo, comecei a reparar mais nos rostos das pessoas com quem cruzei por aí. Mais especificamente, em seus olhos. Mais especificamente ainda, em suas olheiras. E constatei algo meio estranho: todo mundo que é normal tem olheiras! Podem reparar.
Se alguém que estiver lendo não tem olheiras, prove. Mande sua foto pra fldamasceno@hotmail.com para que eu coloque com todo o prazer uma foto de um ser normal, estudante e/ou trabalhador que não tenha essa coisa feia que fica embaixo dos olhos. Vale de conhecido(a)s também. Só não pode ser de artistas, modelos e gente que depende da imagem pra ganhar a vida. Fico no aguardo...
Escrito por Damasceno às 15h30
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Idade, filhos e amigos que casam
Há alguns termômetros pra começar a ao menos desconfiar de que a idade está chegando. O principal para mim é a quantidade de amigos de infância e/ou adolescência que começam a se casar. Ontem, mais uma vez, lembrei que estou ficando velho.
A culpa dessa vez é do Wellington, ou Tom, como todo o povo do colégio o chamava. Conheço o cara desde a primeira série. Houve tempos em que ele vivia em casa jogando videogame, futebol de botão, bolinha de gude, Super Trunfo. E vai casar! Na igreja, com direito a convite e tudo mais! É meu quinto amigo que comete essa heresia. Poxa, namorar é tão bom. Será que acordar junto todo dia é melhor? Tenho minhas dúvidas.
Primeiro foi o Maurão, depois o Ronaldo. Aí veio o Hessel e meu xará Fernando. De todos, o Tom é o cara com quem eu tenho menos contato hoje, mas nem por isso deixa de ser algo chato – e egoísta de minha parte. É um companheiro a menos pras baladas, pra viajar, pra ficar falando de futebol enquanto se admira a mulherada, pros carnavais da vida...
Chega a ser engraçado até. É muito doido ver alguém que cresceu com você, que não tinha nem barba, que disse com orgulho (ou não) como foram suas primeiras experiências de toda espécie (drogas, foras, pés-na-bunda, sexo), simplesmente deixar pra trás um ciclo de vida e entrar noutro assim. Queiram eles ou não, é o primeiro passo pra constituição de uma família! Isso é muito estranho.
E o mais doido ainda é ver os filhos de seus amigos. Isso é completamente surreal! Nesse clube entram o Ronaldo, o Maurão, a Roona e a Pê. Chega a dar um frio na espinha pensar em passar por isso, mas ver a cara dessa molecadinha e, principalmente, dos corujaços que os colocaram no mundo, faz com que um pouco desse medo passe – mas só isso. Nada de fazer o mesmo.
Escrito por Damasceno às 14h09
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Amigão!

Escrito por Damasceno às 17h15
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Brincando de aprender
Posição em 28/02/2004 Performance (%)
5.208 FERNANDO DAMASCENO 3,890 5.209 LUIZ RESENDE DE ANDRADE 3,890 5.210 CLAUDIO FERREIRA DA SILVA 3,890 5.211 LUCIANA BARBOZA CARNEVALLI 3,890
Alguém aí tem interesse em bolsa de valores, aplicações e coisas do tipo? Bom, eu tenho um pouco. O problema é que não manjo absolutamente nada do assunto. Aliás, não manjava. Agora entendo praticamente nada, mas já é um avanço em relação ao começo do ano, quando meu amigo Joe (como vai a Inglaterra, meu caro?) e eu conversávamos sobre isso.
O Joe me apresentou a um esquema que a Folha faz todo o ano, o Folhainvest em Ação. É uma espécie de bolsa virtual, onde cada um que se cadastra ganha 100 mil reais (virtuais, óbvio) pra investir como bem entender. Rolam umas dicas pra quem não manja nada do assunto e, com uma certa paciência, dá pra ao menos começar a entender como funciona.
Pra saber como vai seu desempenho, rola um ranking, atualizado ao final de cada pregão. Até sexta-feira tinha 24185 participantes na brincadeira. Este futuro aplicador ocupa um razoável 5208º lugar, com um saldo até que bacana - minhas ações na Ambev (viva a cerveja!) e na Petrobras vêm me salvando nas últimas semanas.
Se alguém quiser aprender um pouco, o link está aí do lado direito.
Escrito por Damasceno às 15h49
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