
Eu sempre brinco que o futebol é um dos meus cinco principais prazeres da vida – seja à distância, vendo pela TV ao lado de Damasceno-Pai, ou dentro dos campos e quadras da vida, maltratando a pobre da bola. O jogo deste domingo, entre Paulista e Palmeiras, só reforça o que digo.
A desclassificação do Palmeiras, obviamente, muito me agradou. Sou contra a velha história de – desculpem o termo chulo – gozar com o pau dos outros, tirando sarro de palmeirenses, corintianos e afins quando não é o São Paulo que os vence. Mas nem é só pelo resultado minha empolgação com a partida, e sim pela forma como o jogo se deu (aberto, com lances bonitos, pouca violência) e pelos personagens que fizeram da semifinal deste ano algo inesquecível – apesar do Tricolor, mais uma vez, negar fogo.
O primeiro personagem que salta aos olhos é o zagueiro Asprilla, do Paulista. O cara fez uma falta tonta no finzinho do jogo e permitiu que o Palmeiras empatasse, com Pedrinho, num chute daqueles de tirar o fôlego, bem no ângulo. Acaba a partida (3 a 3, após o Paulista fazer 3 a 1 aos 35 do segundo tempo), vem a decisão por pênaltis e a última cobrança do time de Jundiaí cai justamente nos pés do tal Asprilla, que marca o gol, compensa a cagada que fez e leva o Galo pra final.
O segundo personagem é Zetti. O cara é um dos ídolos de infância de todo são-paulino de seus 20 e poucos anos e segue com a mesma classe, educação e inteligência como técnico. Ele nem fez um baita papel hoje – o Paulista, com um homem a mais, não aproveitou pra assar o Porco –, mas tem mostrado que daqui a uns anos vai figurar entre os Luxemburgos e Scolaris da vida.
O último dos personagens é Márcio, goleiro do Paulista parecidíssimo com o irmão do Torelli (podem reparar). O cara jogou muito (fez umas cinco defesas dificílimas, além de sair do gol muito bem), pegou dois pênaltis e vai voltar pro São Paulo no meio do ano. Que o rapaz siga o caminho de Rogério Ceni, esperando com paciência na reserva pra ganhar o lugar no gol do Tricolor. Eu já estava empolgado com essa possibilidade e fiquei mais ainda ao ouvir na Jovem Pan sua entrevista, logo após a semifinal: "Eu vou pensar nas finais agora, mas todo mundo sabe que sou são-paulino, amo aquele time e vou fazer de tudo pra conseguir virar titular do São Paulo um dia". Que assim seja!
Personagens à parte, que reação do Palmeiras! OK, o time foi desclassificado, mas a semifinal de hoje foi daquelas que criou mais uns 5 mil moleques palmeirenses por aí. É esse tipo de comportamento que faz um guri de seus oito, nove anos, ainda indeciso na escolha de seu time, optar por X e não por Y. É esse tipo de comportamento que há MUITO tempo eu não vejo no São Paulo. Se hoje está cheio de moleques são-paulinos por aí, fruto dos anos sensacionais do time no começo da década de 90, daqui a uns anos o cenário vai ser bem diferente.