Filmes baseados em livros muitas vezes resultam em problema. Dificilmente acrescentam algo à narrativa e, na maioria das vezes, acabam distorcendo um detalhe ou outro da história original. Falando apenas de obras nacionais recentes, “Memórias Póstumas”, “O Xangô de Baker Street” e “Um Copo de Cólera” encaixam-se nesse perfil. “Benjamim”, felizmente, corre por outra raia.
Muito tem sido falado sobre os problemas e as virtudes de “Benjamim”, mas um de seus méritos ainda não teve o destaque merecido. O filme consegue deixar alguns pontos da narrativa de Chico mais claros. A curta obra do “feioso” (oi, Tatoca!) tem uma característica curiosa: o modo de narrar sempre merece tanta atenção quanto a história narrada. O problema é que só em “Budapeste” Chico conseguiu chegar em um nível completamente claro, sem brincar tanto com os vaivens temporais, de modo a facilitar a compreensão da leitura. “Benjamim”, o filme, não faz correções, mas elucida trechos um tanto obscuros do livro.
A releitura da história de Benjamim Zambraia se torna muito mais interessante após assistir ao filme. A diretora optou por colocar alguns trechos da trama numa ordem diferente da apresentada por Chico, como o estupro de Ariela e o modo como seu marido fica inválido. Ainda no cinema bate aquela sensação de “Ahhh.... agora entendi qual é a desse cara na trama”.
É curioso que o caminho inverso também é válido. O filme, se visto por quem não leu o livro, deixa algumas interrogações (me baseio por quatro depoimentos de amigos). Presumo que uma leitura rápida da obra acabe com o problema. Se alguém passar por isso, me avise.