Tudo pode virar crônica
     
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Pensando alto

É impressionante como em determinadas épocas a gente acaba se apaixonando a todo instante. Estou passando por isso e não recomendo a sensação. Somente essa semana já foram três vezes – e por pessoas que nem conheço.

 

Nessas fases a paixonite não vem de modo convencional, igual a quando gostamos de alguém. É algo completamente efêmero, bobo até, mas bem engraçado. Um sorriso bonito na Paulista, um perfume gostoso no elevador, um decote generoso no ônibus, um rosto de anjinha na entrada do cinema, um umbiguinho de fora no Parque Villa Lobos... e pronto! Bate uma vontade louca de casar, ter 15 filhos e passar férias todos os anos em Bananal com a responsável pela flechada. Mas depois de três minutos a sensação passa e fica tudo como estava.

 

Chato isso. Melhor seria se essas paixonites não sumissem assim – ou durassem um pouco mais do que alguns minutos. Às vezes umas utopiazinhas fazem um bem danado.



Escrito por Damasceno às 16h39
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Falta do que escrever

Um bocado de Chico... faz tempo que não sossego e ouço uns disquinhos...

"Por trás de um homem triste
Há sempre uma mulher feliz
E atrás dessa mulher
Mil homens, sempre tão gentis
Por isso, para o seu bem
Ou tire ela da cabeça
Ou mereça a moça que você tem"

 

Deixe a menina – 1980

 

"Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar"

 

Morena dos olhos d'água – 1966

 

"Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista"

 

Quem te viu, quem te vê – 1966

 

"Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã"

 

Cotidiano – 1971

 

"Não existe pecado do lado de baixo do Equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor"

Não existe pecado ao sul do Equador – 1972-73



Escrito por Damasceno às 16h42
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Instantes

Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.

Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás,

trataría de tener solamente buenos momentos.

Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.

Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas.
Si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.

Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante.

Pero ya ven... tengo 85 años...
y sé que me estoy muriendo...

 

Jorge Luís Borges



Escrito por Damasceno às 10h34
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O olhar, o sorriso e a sensualidade

Minhas idas ao Primo, onde almoço quase todos os dias, são antecedidas por breves instantes de ansiedade. No caminho até o restaurante passo em frente a uma casa simples, em que quase sempre está sentado um casal de adolescentes, normalmente aos beijos. Os dois devem ter por volta de 16 anos e não são bonitos. Mesmo assim, adoro ver a gordinha cheia de espinhas.

 

Não tenho nenhuma tara por menininhas nem por gordinhas, tampouco por rostos cheios de espinhas. Também não tenho nada contra as moças com essas características. O que me desperta a atenção na garota da rua em que trabalho é o seu jeito de olhar, de sentar, de sorrir – típico de mulheres que sabem ser sensuais sem fazer o menor esforço.

 

Certas características nascem com a mulher e já pululam de seu corpo na puberdade, muito antes da menina ter noção daquilo que desperta nos homens. É curioso como a sensualidade independe da beleza física e é revoltante quando a dona de um olhar ou de um sorriso hipnotizante tem pleno controle de seu charme – e o utiliza para conseguir o que quer de nós, pobres homens.

 

Hoje, indo almoçar, a vi. A menina estava em pé diante do portão de casa, mas sem o namorado. No quintal, dois meninos sentados em um degrau conversavam com ela e tinham a fisionomia típica do adolescente punheteiro – lobo mau em busca da chapeuzinho vermelho misturado com o sujeito tímido que não sabe onde pôr as mãos enquanto fala. A cena me fez chegar a uma conclusão: a moça já sabe o que desperta nos rapazes e abusa desse comportamento maldoso.

 

A perna esquerda da menina estava sobre uma pequena mureta, posição que realçava o contorno de sua coxa grossa sob o jeans apertado. Ela estava de frente para a casa, mas a todo momento virava o pescoço para trás, como se estivesse à espera de alguém. As poucas viradas que pude presenciar eram acompanhadas de um volumoso balançar de cabelos enfeitado pelo sorriso que caracteriza a mulher tipicamente sensual.

 

Na volta do almoço torci para revê-la, mas não havia ninguém diante do portão. Antes de sentar ao computador, parei e fiquei pensando nas mulheres que conheço, nas que conheci e naquelas que gostaria de ter conhecido melhor. Entre todas elas, uma a uma, lembrei das que possuem essa característica da menina do portão. São poucas, nem todas são bonitas e creio que uma ou outra ainda não tem noção de sua capacidade. 

Sei que há outros caras que reparam mais nessa sensualidade da mulher do que propriamente em sua beleza ou em seus atributos físicos. Entre as mulheres também existe isso? Ou o que importa mesmo é o rosto bonitinho e um corpão malhado? Manifestem-se.  



Escrito por Damasceno às 14h30
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A beleza da violência

OK, que Kill Bill é um filme do cacete todo mundo sabe e uma porção de gente já falou, assim como é chato pra caramba ter que esperar vários meses pra ver a segunda parte. Mas o que mais me chamou a atenção foi sair do cinema com a certeza de que a violência (de mentirinha, claro) pode ser algo lindo.

O que são as duas últimas cenas de luta!! A primeira delas, em que A Noiva dá um pau em dezenas de japas, tem umas sacadas geniais, como deixar à mostra somente as sombras dos atores e outros lances referentes à luz e ao enquadramento de câmera. A segunda, no gelo, com um puta cenário, deixou no chinelo "O Tigre e o Dragão" e suas paisagens maravilhosas.

Tem quem não goste de ver mulheres brigando no cinema, pois a luta torna-as menos femininas e coisa e tal. Em alguns casos é verdade. Angelina Jolie, apesar de todos seus atributos e da roupinha sexy da Lara Croft, fica meio estranha dando um pau em todo mundo. Já a Uma Thurman, apesar de não ser linda (aliás, que pés feios), ficou show de bola, atraente mesmo. Se a sua escolha pro papel d’A Noiva é responsabilidade do Tarantino, ponto pro cara, pois sem ela não sei se a violência do filme seria tão bonita.



Escrito por Damasceno às 21h30
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