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Obrigado, Maninha. Gracias, Perla

Eu devia me chamar Kleber. A culpa seria de minha mãe. No que dependesse de meu pai, hoje as pessoas me apelidariam de Zé, Zezinho ou algo parecido. Por sorte minha irmã Eliane já tinha discernimento suficiente para não deixar que nenhum deles me registrasse assim. Nasci Fernando, como vários outros em 1980, mas tudo bem – não gosto mesmo de ser muito diferente.
Até poucas semanas antes do dia 10 de agosto, eu seria Kleber Leal Damasceno. Felizmente nessa época já existiam os programas de TV extremamente populares, responsáveis por alçar à condição de astros figuras ímpares. Entre elas, a cantora paraguaia Perla, intérprete de uma versão horrível em português de “Fernando”, do grupo sueco Abba.
“Sou feliz, estou te amandoooooooooooo”, cantava Perla logo nos primeiros acordes, até chegar ao refrão que encantava minha irmã: “Nosso amor nunca vai terminar / Eu vou te amar, Fernando”. Em uma bela tarde, eis que a pequena Eliane, na grandeza de seus cinco anos e mandona como sempre, solta a pergunta disfarçada de ordem: “Por que não Fernando, igualzinho ao da música?”.
Diz a lenda em minha casa que todos os presentes na ocasião gostaram da idéia logo de cara. Meu pai, com certeza. Minha mãe, intransigente por natureza, dificilmente, mas acabou por fazer a vontade da filhota e deixou que me registrassem com o nome da música que, apesar de sofrível, me diverte toda vez que a ouço, seja em alguma festa com hits dos anos 80 ou na vitrola lá de casa, graças ao LP dos “grandes sucessos da década”.
Escrito por Damasceno às 12h06
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