Tudo pode virar crônica
     
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Construção

Segundo o Diário de São Paulo de hoje, Chico Buarque participou da composição de 322 músicas. Falar bem dele é a coisa mais mole do mundo, ainda mais no dia em que completa 60 anos. Por isso, aqui vai tão-somente a transcrição de um trecho de "Desenho Mágico – Poesia e Política em Chico Buarque", de Adélia Bezerra de Meneses. O trecho trata de Construção, que nem é minha preferida, mas resume o quilate daquilo que o único gênio vivo da música brasileira já fez.

"Mesmo tendo sido basicamente como o autor de Construção que Chico se criou um lugar de cantor dos oprimidos na Música Popular Brasileira, ele recusa, terminantemente, qualquer intencionalidade social no ato de compor essa canção. Em entrevistas concedida à revista Status, em 1973, faz revelações interessantes [...] e diz que Construção não era, dentro dele, uma música de denúncia ou de protesto.

Chico - Não passava de experiência formal, jogo de tijolos. Não tinha nada a ver com o problema dos operários — evidente, aliás, sempre que se abre a janela.

Status - Portanto, não havia nenhuma intenção na música.

Chico - Exatamente. Na hora em que componho não há intenção — só emoção. Em Construção, a emoção estava no jogo de palavras (todas proparoxítonas, em versos dodecassílabos). Agora, se você coloca um ser humano dentro de um jogo de palavras, como se fosse... um tijolo — acaba mexendo com a emoção das pessoas.

Status - Então não se liga com intenção?

Chico - Tudo é ligado. Mas há diferença entre fazer a coisa com intenção ou — no meu caso — fazer sem a preocupação do significado. Se eu vivesse numa torre de marfim, isolado, talvez saísse um jogo de palavras com algo etéreo no meio, a Patagônia, talvez, que não tem nada a ver com nada. Em resumo, eu não colocaria na letra um ser humano. Mas eu não vivo isolado. Gosto de entrar no botequim, jogar sinuca, ouvir conversa de rua, ir a futebol. Tudo entra na cabeça em tumulto e sai em silêncio. Porém, resultado de uma vivência não solitária, que contrabalança o jogo mental e garante o pé no chão. A vivência dá a carga oposta à solidão e vem da solidariedade — é o conteúdo social. Mas trata-se de uma coisa intuitiva, não intencional: faz parte da minha formação que compreende — igual aos outros de minha geração — jogar bola e brigar na rua, ler histórias em quadrinhos, colar, aos seis anos, cartazes a favor do Brigadeiro, por causa dos meus pais, contrários ao Estado Novo.

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Nada mais a declarar.



Escrito por Damasceno às 18h59
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"No debía quererte, pero quiiiiiiiiise"



Como não rola ir pra Havana ou Varadero tão cedo, o jeito é ver e ouvir música cubana por aqui mesmo. Rolou ontem no Via Funchal uma cantoria caprichada com o Ibrahim Ferrer e sua banda. O negão manda muito bem, é mais carismático do que eu imaginava e se cerca de uns músicos bem bacanas, bons e animados demais.

 

O show era de Ibrahim Ferrer, mas o dono do palco estava meio de lado, sentado ao piano, dando o tom de todo o espetáculo. Roberto Fonseca roubou a cena em pelo menos meia dúzia de canções. Em outras, a atenção era compartilhada com o pessoal da percussão e do sopro, com destaque pro cara do bongô.

 

No repertório, apesar de poucas músicas conhecidas, a banda soube misturar uns bolerões com umas salsas e rumbas que levantaram a platéia. No final, uns sucessos do Buena Vista transformaram o sisudo Via Funchal numa pista de dança, enquanto no palco Ferrer sorria, aparentando que se divertia mais do que todos ali.



Escrito por Damasceno às 11h59
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Mais do mesmo

Falar que o São Paulo tem um elenco limitado, que o Luís Fabiano some em decisões, que a camisa do time cheira a pipoca há um tempão e que o segundo gol do Once Caldas dá pano pra discussões é chover no molhado. O que mais chama a atenção depois da desclassificação na Libertadores é a capacidade do time em ter derrotas traumáticas ao longo da última década. Pela ordem:

 

- Libertadores de 1994: derrota nos pênaltis para o Vélez Sarsfield num Morumbi com mais de 92 mil torcedores.

- Campeonato Brasileiro de 1999: no primeiro jogo da semifinal, o time perde para o Corinthians por 3 a 2. Dida defende dois pênaltis cobrados por Raí, cala a metade são-paulina no Morumbi e acaba com qualquer resquício de moral para tentar reverter a desvantagem na segunda partida.

- Copa do Brasil 2000: derrota na final para o Cruzeiro, no Mineirão, com um gol de falta aos 44 do segundo tempo. A bola passa no meio da barreira.

 

Corinthians, Santos e Palmeiras também tiveram seus maus momentos ao longo dos últimos dez anos. O Corinthians em todas suas risíveis participações na Libertadores; o Peixe, ao perder as finais do Brasileiro de 1995 e da Libertadores de 2003; o Palmeiras fez feio em Yokohama, em 1999, e também perdeu uma final de Libertadores nos pênaltis, para o Boca Juniors. Contudo, nenhum dos arqui-rivais são-paulinos conseguiu tais façanhas em quantidade semelhante à do Tricolor.

Nelson Rodrigues dizia que quando um gol acontecia de forma totalmente estranha, fora de hora, pouco convencional, devia-se à entrada em campo do Sobrenatural de Almeida. Cansei de ver esse filho da puta sacaneando meu time, aparecendo sempre em momentos lastimáveis. Acho que a diretoria do São Paulo deveria pensar em contratá-lo antes da próxima partida decisiva...



Escrito por Damasceno às 11h22
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Evolução

Ainda falando da Inglaterra...
Acho que as fotos abaixo mostram que meu amigo Joe teve uma pequena evolução profissional em sua estadia em território inglês.




Escrito por Damasceno às 16h09
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Joe in England

Meu amigo tá foda!!!



Escrito por Damasceno às 13h58
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