Tudo pode virar crônica
     
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Aquele abraço

Não me pergunte o mês nem o ano em que isto aconteceu. Foi uma cena marcante, mas nada que tenha gerado reviravoltas em minha vida. O que posso dizer é que presenciei, a menos de cinco metros de distância, um dos abraços mais bacanas que duas pessoas já proporcionaram à humanidade.
 

Marquei um encontro com uma amiga às 7 da noite, em frente ao hall de entrada do Shopping Iguatemi. Cheguei no horário, ela não. Ao meu lado, a poucos metros, outro rapaz aparentava que também estava a esperar alguém. As diferenças entre nós, basicamente, eram duas: ele estava arrumadíssimo, de camisa nova e gel nos cabelos, enquanto eu, além de um pouco desleixado, não demonstrava nenhuma ansiedade pelo atraso de minha companhia.
 

Esse atraso já chegava aos 25 minutos quando o rapaz ao meu lado deixou seu ponto de encontro e foi até um telefone público — não sem antes olhar em seu relógio umas doze vezes e caminhar incansavelmente de um lado para o outro. Assim que o dito-cujo saiu, uma moça levemente gordinha chegou à frente do Shopping, um tanto quanto esbaforida, dirigindo-se a mim:

— Washington?!

— Annnn.... não. Mas eu acho que ele é, respondi, apontando na direção do ansioso rapaz.

 

A gordinha nem me agradeceu e foi logo na direção do moço, em passo acelerado. Ele fez o mesmo e, no meio do caminho, os dois deram um abraço monumental, demorado, cinematográfico, emocionado, talvez até apaixonado — quem sabe?
 

Dois minutos depois chega Isabel. Pensei em repetir a cena, mas pareceria bobo. E, além do mais, ela se atrasou muito, nem era digna de um baita abraço.

Escrito por Damasceno às 11h41
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Opções bacanas na TV

Os talk-shows e programas esportivos da TV aberta têm uma característica comum atualmente: andam todos muito chatos. Jô Soares, Roberto D´Avilla e João Dória Jr. raramente trazem alguém interessante a seus programas — João Gordo, na MTV, é uma exceção, mas seu estilo escrachado muitas vezes causa mais desconforto ao entrevistado do que algum benefício ao bate-papo.

 

Aos domingos à noite, praticamente só tragédias: “Bola na Rede”, na Rede TV!, “Mesa Redonda”, na Gazeta, “Terceiro Tempo”, na Record, e “Show de Bola”, na Band, fazem até o sujeito mais calmo do mundo perder a paciência. Os três primeiros mal deixam seus convidados abrirem a boca e se preocupam mais em vender os “sapatos Di Pollini”, os “barbeadores BIC” ou as delícias de restaurantes dos Jardins. O último deixa os jogadores e técnicos darem uma ou outra opinião, mas ainda não definiu seu formato — principalmente depois da saída de Jorge Kajuru da emissora. Nesse antro que joga cada vez mais para baixo o nível do jornalismo esportivo, o que se salva é outra atração da MTV, o “Rock Gol”, que dá à crônica “especializada” o verdadeiro valor e seriedade que ela merece nos últimos anos.

 

As salvações para esses tipos de programas estrearam neste ano e possuem um formato bem parecido: “Cartão Verde”, na Cultura, e “Dois a um”, no SBT, optaram por um jeito simples de mostrar um bate-papo interessante: um entrevistador e dois entrevistados em frente às câmeras da mesma bancada, sem nenhuma frescura ou interrupções para propagandas e com espaço suficiente para exposição de opiniões — mesmo quando estas são bem distintas.

 

O “Cartão Verde” já existia há vários anos, sempre com conteúdo exclusivamente esportivo e semelhante às outras mesas-redondas que se mantêm no ar. Com o retorno de Juca Kfouri à Cultura, a mudança em seu formato foi adotada. Além disso, o programa deixou a concorrência dos domingos e passou para as quintas-feiras. Vitória de quem gosta de ver não-somente os gols e principais lances esportivos, mas também de ouvir comentários e perguntas que fujam dos batidíssimos jargões, frases feitas e brigas arranjadas dos outros programas esportivos.

 

Já no “Dois a um” — apresentado por Mônica Waldvogel aos domingos, num horário meio ingrato —, o curioso tem sido assistir a entrevistados com pouco a ver entre si conversar sobre temas em comum. Exemplos: Irene Ravache e FHC falando de televisão, teatro e política; José Serra e Washington Olivetto conversando sobre futebol, publicidade, marketing político e administrações petistas.

 

SBT e Cultura estão longe de viver seus melhores dias. O “Dois a um” sequer é produzido pela emissora do Silvio Santos, mas anima muito saber que ao menos as noites de domingo e quinta-feira têm opções muito boas e acessíveis a todos os que não podem ter a ESPN Brasil, o GNT e o Multishow em casa.

 

Cartão Verde: Cultura, toda quinta, às 22h30.
Dois a um: SBT, todo domingo, perto da 0h.



Escrito por Damasceno às 15h47
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