Artigo de luxo

Pregador de peças esse ano de 2004, ao menos em termos de futebol. O Santo André era só o que faltava, depois do São Caetano ser campeão paulista, do Porto ser campeão europeu de clubes, do Once Caldas bater Santos e São Paulo na Libertadores e da Itália, Alemanha, Holanda, Inglaterra e França deixarem Portugal ter todas as chances de ganhar a Eurocopa.
Nada como boas lições pra aprender alguma coisa. Pena que não é assim que funciona no futebol. Dificilmente Corinthians, São Paulo, Flamengo, Vasco e cia vão mudar suas estruturas, apesar de tudo o que vem sendo feito de errado. Do mesmo modo, a Itália não vai mudar seu modo de jogar, assim como os outros grandes europeus que não cansam de levar nabos seguidos de nabos.
O triste nessa história é que os últimos campeões dos torneios de maior visibilidade do Brasil, apesar de terem mostrado bastante competência, não têm buscado um tipo de jogo bonito, que encha os olhos de quem gosta de futebol. Vale mais a pena jogar feio ou só com inteligência.
Seria a vitória do pragmatismo da Copa de 1994 sobre o estilo simpático de 1982? Besteira. Bons jogadores são os responsáveis por um jogo de qualidade. Como essa raça anda em falta nos nossos principais times, vence o mais organizado, o que comete menos falhas, o menos pior. Vencer e dar show virou artigo de luxo, cada vez mais dependente dos lampejos dos poucos craques que ainda restam por aqui.
Escrito por Damasceno às 17h27
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Uma sexta bacana
 Pessoas bacanas...
 Para um foundue não tão bacana...
 Mas havia cerveja...
 E fotógrafos por todos os lados...
 Tal combinação acabou em exibicionismo...
 Até que chegou a dona da festa, enfurecida...
 E mandou todos embora para casa.
Escrito por Damasceno às 11h12
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Diálogos pertinentes (1)

— Nada me irrita mais do que a apreensão de conversar com quem não tem o que falar.
— Como assim?
— Como explicar? Veja... sabe quando você está num bar, num corredor, na fila do café e tem que conversar sobre amenidades? Odeio isso.
— Mas é difícil começar a conversar com alguém sem falar algum tipo de amenidade, mesmo as mais batidas.
— Sim, claro. Ou não. Mas não é sobre isso que estou falando. É sobre conversar com gente conhecida. Colegas de trabalho, amigos, parentes, vizinhos. Já reparou como é uma droga quando não se tem interesse nenhum no que a outra pessoa está falando?
— Já, mas a culpa pode ser do interlocutor. Você falaria sobre futebol com alguém que não sabe nem quem é o Zidane?
— Depende. Se a pessoa demonstrasse algum interesse em saber quem é o Zidane, por que não?
— OK. Mas você falou em apreensão. Um pouco de exagero, não?
— Não, de jeito nenhum. Dá agonia mesmo. Sabe aqueles papos do tipo “que friozinho chato” ou então “como o ano está passando rápido, né”? É isso o que incomoda.
— Que bobeira. Todo mundo faz isso de vez em quando.
— Não é todo mundo. Quem tem o que falar não faz isso.
— E você sempre tem o que falar?
— Normalmente sim. — Que bom, mas já parou pra pensar que às vezes pode faltar gente pra te ouvir?
Escrito por Damasceno às 15h34
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