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Procuram-se anedotas

Ontem vi numa banca um daqueles velhos livrinhos de piadas do Ary Toledo. Reação imediata: faz muito tempo que não ouço alguma piada muito boa. Pior: faz mais tempo ainda que não conto alguma anedota original (boas de verdade nunca contei). O que se passa?
Meus amigos mais antigos quando vão se referir a mim quase sempre falam das piadas horríveis que eu contava. Horríveis pra eles, pois eu as adorava. O pessoal da faculdade não pegou minha fase mais fértil, mas mesmo assim algum resquício desse meu lado bem infame eles conheceram. Hoje quase nada disso restou, mesmo quando estou extremamente bem-humorado.
É muito chato isso. Havia um tempo em que era comum pra caramba ouvir boas anedotas. Arrisco dizer que, na média, ouvia ao menos uma piada bacana por dia, daquelas que obrigatoriamente têm que ser contadas para todos os amigos, nem que seja por telefone.
Sinto falta dessa época. Mesmo pela internet rolavam umas piadinhas mais bacanas em tempos não muito remotos. Na TV, até que de vem em quando aparecem umas tiradas bacanas, mas acabam morrendo na por lá mesmo, sem que as pessoas façam as outras rir — o humor morre no sofá de casa e ponto final.
Mesmo Ary Toledo, motivo inicial de toda essa minha inquietação, anda sumido. Gostem ou não dele, o cara é um HD humorístico — e nem assim ele tem aparecido muito nos ratinhos, gugus e outros programas populares. Gostaria muito, de verdade, de ouvir uma piada legal. Contribuições são bem-vindas.
Escrito por Damasceno às 17h19
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