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Exemplo

Daiane dos Santos falou algo que há pelo menos seis anos eu queria ouvir. Ao terminar sua apresentação na quinta colocação, ontem, ela foi objetiva ao analisar o que se passou na final dos exercícios de solo. “Eu errei. É uma coisa que acontece. É esporte, erra-se às vezes”.
Melhor impossível. Há tempos as desculpas para as grandes derrotas brasileiras são irritantes. E quase todas elas partem da própria torcida no Brasil, inconformada em ver seus ídolos despencarem quando estão a um passo da glória. Em 1998, após a final da Copa do Mundo, ouviram-se as maiores pataquadas da história do esporte. “Venderam a final para a França”. “Os caras só querem saber de dinheiro”. “O Brasil garantiu a vitória na Copa de 2002 ao entregar a final de 1998”. Besteiras desse tipo só ganham espaço quando atletas e técnicos não admitem que havia adversários qualificados disputando o mesmo título; quando se esquece do óbvio: alguém sempre perde.
Ao assumir seu erro, Daiane cortou de cara os corneteiros de plantão, que certamente procurariam o motivo de sua ausência no pódio. Nem mesmo o joelho operado há pouco tempo serviu de desculpa para seu desempenho. Ela preferiu arriscar com seus saltos cheios de nove horas a fazer uma apresentação burocrática, que talvez rendesse uma medalha de prata ou bronze.
No Brasil se valoriza muito os Sennas, Gugas e Ronaldinhos por suas vitórias e os bons exemplos dados por eles ao alcançarem seus objetivos. Faltava alguém para dar um bom exemplo em uma derrota. Daiane dos Santos fez isso e só por esse comportamento já merece entrar para a história.
Escrito por Damasceno às 10h49
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