A última

Quarenta e oito meses depois, eis que chega o momento de pagar a última mensalidade da faculdade. Como de praxe, preferi ir direto "a tesouraria, ao invés de pegar fila no banco. Cara de feliz e, por que não, orgulhoso. Sim, orgulhoso. Ainda falta uma matéria pra saber se estou formado, mas a sensação de não ter que colocar a mão no bolso é aliviante, merecedora de algumas cervejas.
Escrito por Damasceno às 10h08
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Tom Jobim

Fui apresentado a Tom Jobim muito tarde, coisa de ano e meio atrás. Apresentado à música dele, obviamente. Na véspera do dia em que sua morte completa dez anos, fico pensando numa coisa que certa vez um ex-colega do Lance! disse: "Como pode haver tantas homenagens pro Senna e não ter quase nenhuma pro Tom, sendo que os dois morreram no mesmo ano?". Que amanhã seja diferente...
Não concordo totalmente com a reclamação desse ex-colega (não lembro se foi o Erich ou o Netão), mas sinto falta, sim, de mais homenagens a ele. Fui prestar atenção em sua obra depois de conhecer um pouco mais de Chico. Os discos do Chico da décade de 90 são uma tentativa escancarada de aproximação da obra de Tom, e foi por aí que me arrisquei a ouvir mais as coisas do "maestro".
A leitura de "Chega de Saudade" só confirmou aquilo que eu já desconfiava. Como foi bom descobrir coisas além de "Garota de Ipanema" e "Águas de Março"! Que bacana saber das brigas de Tom e João Gilberto durante a gravação de vários discos! Ao mesmo tempo, como é triste saber que depois de todos os sessentões que aí estão morrerem, teremos de ficar com a bem intencionada - porém limitada - geração "Trama", com seus Max de Castro, Simoninhas e similares.
Pelo tanto de coisas que ele compôs, vai demorar muito tempo pra eu ser um cara que conheça um pouco de Tom Jobim. Por enquanto sou só um curioso satisfeito com aquilo que tive contato, ávido por ler e saber um pouco mais a respeito. Cabe apenas deixar aqui uns trechinhos sensacionais de algumas músicas:
Fundamental é mesmo o amor É impossivel ser feliz sozinho Wave
Se nós nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir Eu te amo (com Chico)
Eu sei que vou te amar Por toda a minha vida, eu vou te amar Em cada despedida, eu vou te amar Desesperadamente Eu sei que vou te amar Eu sei que vou te amar (com Vinícius)
Quero a vida sempre assim Com você perto de mim Até o apagar da velha chama E eu que era triste Descrente deste mundo Ao encontrar você eu conheci O que é felicidade Meu amor Corcovado
De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente Soneto da separação (com Vinícius)
Sem você Sem amor É tudo sofrimento Pois você É o amor Que eu sempre procurei em vão Você é o que resiste Ao desespero e à solidão Nada existe E o mundo é triste Sem você Sem você (com Vinícius)
Escrito por Damasceno às 14h28
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