Tudo pode virar crônica
     
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Sobre as maes da Praca de Maio

Ja que o pedido foi tao caloroso, tudo bem. É que ficaria melhor com duas fotos que tirei, mas quando chegar em SP mostro pra voces.

Chegando na Praca, o primeiro choque: as velhinhas estavam mais preocupadas em vender quinquilharias pros turistas do que protestar. Livros, adesivos, bandanas, faixas e bandeiras sobre o movimento ou simplesmente com uma marca que foi feita para a "causa".

Depois, comecaram a caminhar em torno da praca com um faixa pedindo que a Argentina nao pague a dívida externa. Vai a merda! Se o pagamento da divida é algo interessante ou nao, foda-se. Mas o que um movimento como o delas tem a ver com isso?

Pouco antes, saindo da avenida de Mayo, havia uns caras distribuindo uns panfletos políticos. Os caras estavam querendo aproveitar a tragedia do boliche pra pedir a renuncia do Ibarra, prefeito da cidade. Ele perguntou umas coisas e sobre o Brasil e disse que conhecia um partido muito interessante em nosso país: "El partido de la ´cousa´ operaria". Entao tá bom.

Mais tarde, ainda ontem, eu e o alemao Peter vimos o inicio das manifestacoes que acabaram num quebra pau, na mesma avenida de Mayo, pelo mesmo motivo. Os protestos corriam numa boa enquanto os pais das vitimas estavam na parada. Depois, quando só ficaram uns moleques, virou baderna.

Finalmente chover em Buenos Aires, depois de uns 15 dias, segundo um taxista. Ontem, a sensacao térmica aqui foi de 39 graus. Acredite!



Escrito por Damasceno às 22h26
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Pobreza, Maradona, alfajores Havanna

Estou meio desatualizado. Conheci uma pancada de lugares, mas aos poucos vou colocando aqui. Pena que falta uma máquina digital pra ilustral com umas fotinhas, mas é a vida...

Ontem dei uma passeada pelo bairro de La Boca, bem pobre, onde fica La Bombonera. O bairro é bem pobre mesmo. Na mesma rua do museu do Boca tem umas portinhas por onde dá pra ver verdadeiros corticos, com uma molecada bem magrinha, com aparencia de boliviano.

O museu do Boca é um oasis no meio disso. Que inveja! O Sao Paulo tem um museu legalzinho no Morumbi, mas o que o Boca Juniors faz é sensacional. Puta jeito legal de preservar a história de seus jogadores, em especial Don Diego. Pena que as lembrancinhas do museu eram caras demais. Abusrdas mesmo, coisa de 15 pesos por uma caneta de bosta com o simbolo do Boca. Ainda bem que deu pra entrar no estádio e tirar várias fotos legais das arquibancadas -- lugar onde vi mais brasileiros por metro quadrado até agora por aqui.

Ainda na Boa dei uma andada pelo Caminito, onde rolam umas coisinhas artesanais, lembrancas de Buenos Aires e coisa e tal. Nao curto muito, mas estava pertinho e nao custava conhecer.

Ainda ontem conheci a Casa Rosada e a Praca de Maio, lugar onde tive uma aula de historia da Argentina e de teoria da conspiracao. Estava lendo umas placas sobre San Martin e um tiozinho chegou do meu lado me parabenizando por saber um pouco de história e coisa e tal. Dei atencao, falei que era brasileiro e aí o velho se animou. Disse que a culpa de a America Latina estar uma merda era dos judeus de todo o mundo e dos macons dos EUA e Inglaterra. E implorou pra eu dizer para os jovens do Brasil que é necessario acabar com as brigas entre nossos paises, como forma de sermos mais fortes e coisa e tal. Está dito, promessa é promessa.

O calor tá de rachar. O dia inteiro com 32 graus na moleira tem sido de doer. Hoje experimentei o alfajor havanna. Puta merda!! Vou ter que contrabanear uns 200 pro Brasil, de tao bom que é o negocio.

Já o tal do bife de chorizzo é bom, mas nao troco por uma boa picanha. Vou comer em outros lugares pra ver se é melhor do que o que eu comi ontem.

O povo daqui come batata demais, de tudo quanto é jeito.

Hoje acordei tarde demais. Fiquei bebendo com o monte de alemaes até bem tarde. Fui dar uma olhada nas tais Maes da Praca de Maio, que se reúnem todas as quintas em frente a Casa Rosada para protestar pela morte de seus filhos durante a ditadura. Fiquei com uma puta impressao ruim da mulherada. Depois explico melhor.

Aproveitei e fui com o Peter (o alemao negro) ate Puerto Madero. Um puta lugar bonito, mas onde senti um puta racismo em alguns lugares, especialmente num bar em que entramos. Só tinha gente com uma aparencia muito boa, o lugar era caro e vi que negros nao parecem ser muito bem-vindos por lá. Por enquanto, é a unica coisa da qual posso reclamar da argentinada. Se eu voltar com uma camisa da selecao daqui nao se surpreendam.

 



Escrito por Damasceno às 21h29
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Faltou o portugues

Manja aquelas piadas estilo Ary Toledo, nas quais sempre há um brasileiro, um italiano, um americano e um portugues? No lugar em que estou hospedado em Buenos Aires é mais ou menos assim. No meu quarto, um australiano e um alemao. Fora os dois, há mais outro alemao, duas alemas, um casal de americanos e uma venezuelana.

Além dessa turma, tem a Paula, do Hostal, e mais dois funcionários (a Cintia e o Hugo), que se revezam ao longo do dia. Todos esses sao argentinos, com todos os "vos" que eles tem direito.

Essa mistura toda é engracada demais. Ontem jantei com o alemao. Descobri que o cara é comunista, formado em fisica, mas virou jornalista para umas "caros amigos" de seu país. De BsAs, ele vai para Porto Alegre no final do mes, para acompanhar o Forum Social Mundial.

O outro alemao é mais bizarro. É um cara nada sério, molecao, negro (!) e fa de bossa nova. Ele vive falando que nunca tira o passaporte do bolso (pra provar que é alemao, apesar da cor) e, quando viu que eu acordei hoje, perguntou se eu sabia a musica que ele estava tocando (Wave, do Tom Jobim). Quando falei que sabia, perguntou se eu nao poderia falar a letra da musica em ingles. Doce ilusao.

Sobre BsAs

Ontem conheci uma parte bem burguesa da cidade. As avenidas Santa Fe e Callao parecem com a Oscar Freire. Tudo muito caro, mas com umas lojas bem bacanas, entre elas a livraria Ateneo e o Musimundo, que é uma especie de Fnac daqui.

Dei uma passeada pelo Congresso Nacional também e, seguindo as recomendacoes da Camila, vi o prédio da Confeitaria mais antiga da cidade (esqueci o nome). O negocio parece um palacio, gigante, uma puta arquitetura bonita.

Conheci também alguns tipos de doce de leite. Todos uma delìcia. Já os alfajores podem ser divididos entre os bons e os bem ruinzinhos. Preciso experimentar mais alguns pra formar opiniao.

A casquinha de doce de leite do McDonalds é bem boa.

Mas o sorvete do Freddo é um negocio indescritível.



Escrito por Damasceno às 17h31
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Trinta e duas horas depois...

... eis que chego a Buenos Aires. Nao quero conhecer os táxis ainda e opto por encarar o metro deles, chamado subte. Sou obrigado a pedir umas informacoes, mas chego no Hostel Don Sancho, onde os poucos hóspedes dormem a las 9 da madrugada.

A viagem

O quase um dia e meio passou bem mais rápido do que imaginei. Devo ter dormido umas 14 horas no total, no confortável (acredite!) semi-leito da Crucero del Sur. Dos 38 passageiros, uns 15 deviam ser argentinos e deu pra comecar a acostumar o ouvido.

O único enrosco rolou na fronteira; ficamos quase duas horas parados em Foz. Fila pra pegar o visto, fila pra olharem a bagagem e uma terceira para os que quisessem trocar reais por pesos. Antes, havia uma parada para os argentinos. Lá rolou a parte mais engracada da viagem. Um cara meio argentino-meio paraguaio entrou vendendo pesos, na base do um para um (mais adiante seria 1 peso para cada 92 centavos de real). O pessoal ficou meio assim de trocar a grana com o cara, e uma menina com cara de tonta solta a pérola: "E se forem falsos, como vamos fazer, para quem reclamo?". Fazia tempo que eu nao via uma reacao tao indignada. "Cómo así? No soy ladron, no puede hablar eso, no puede, no puede, tá bien?". A turma do deixa-disso precisou entrar no meio até...

Pode parecer engracado, mas escrevo o primeiro post daqui com o simpatico Índio, um pastor alemao de tamanho razoavel, a meu lado. Desejem-me sorte...



Escrito por Damasceno às 10h03
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Eu nem queria conhecer nenhuma balada mesmo...

Buenos Aires decreta fechamento de casas noturnas por 15 dias
da Folha Online

O prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra, anunciou neste sábado o fechamento de todas as casas noturnas da cidade por 15 dias, a partir de segunda-feira, e proibiu a realização de shows nestes locais. A decisão foi tomada por conta do incêndio na discoteca República Cromagnon, na última quinta-feira, que causou a morte de 177 jovens e deixou outros 889 feridos.

Hoje, a polícia argentina conseguiu identificar os três jovens suspeitos de terem sido responsáveis pela queima de fogos de artifício que causaram as primeiras chamas. O teto da discoteca, lotada com cerca de 4.000 pessoas, pegou fogo. A maioria das mortes, porém, foi causada por asfixia, e não por conta do incêndio, já que as saídas de emergências estavam trancadas.

"É a pior tragédia que se viveu na Argentina por causas não naturais. Isto nos obriga a tomar medidas fortes e mudar o que funciona mal", disse o chefe de governo de Buenos Aires durante uma entrevista coletiva à imprensa, 48 horas após a tragédia.

A determinação de fechamento ocorre num momento em que Buenos Aires está cheia de turistas, por conta das festas de fim de ano e das viagens de férias.

Segundo Ibarra, durante esses 15 dias, serão convocados os donos dos estabelecimentos, pais, legisladores e organizações não governamentais para discutir as mudanças das regras de funcionamento dessas casas, "a fim de que todos assumam responsabilidades".

Ibarra confirmou que o presidente Nestor Kirchner, que passou o Ano Novo em Santa Cruz, sua cidade natal, "colocou a disposição todo o efetivo necessário para identificar as vítimas".


Escrito por Damasceno às 16h46
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