O Vitão disse ontem à tarde: “O São Paulo merece ganhar. Nem o Corinthians sofreu tanto quando ficou na fila”. O Tricolor não ficou 23 anos sem ganhar algo (rolaram três Paulistas e um Rio-SP), mas as derrotas ao longo da última década foram doídas demais, humilhantes até.
Nesses dez anos vieram as famas de bambi, amarelão, pipoqueiro... Vieram inúmeras derrotas em jogos decisivos, pênaltis perdidos pelo Raí, final da Copa do Brasil perdida no último minuto pro Cruzeiro, além, é claro, da traumática derrota pro Vélez Sarsfield, em 1994, na final da Libertadores – ocasião em que essa fase maldita começou.
Fazer o TCC no ano passado sobre essa fase foi ao mesmo tempo gostoso (pelo amor que tenho ao futebol) e dolorido (obviamente em virtude de relembrar todas as derrotas sofridas). Como esquecer das dezenas de sábados e domingos passados no Arquivo Público do Estado? Como esquecer das gozações ao longo desses dez anos? Impossível.
Por tudo isso a ansiedade era tremenda antes do jogo. Desde quarta passada não pensava em outra coisa. Uma nova derrota, ainda mais em uma final, com o Morumbi (Morumtri, aliás) lotado, teria repercussões inimagináveis – dava calafrios cogitar essa possibilidade. Mas veio o 4 a 0 e a ansiedade virou euforia.
José Silvério (sempre ele!) me fez chorar. O grito de gol desse cara é impressionante. Rogério Ceni, ao levantar a taça, me fez chorar. Olhar meu pai (um reclamão convicto, mas a melhor companhia do mundo pra ver um jogo do Tricolor) com os olhos marejados me fez chorar. Pensar no meu TCC e na tal “década perdida” me fez engolir seco.
Ser campeão de novo é bom demais. Ter uma quantidade de títulos da Libertadores que ninguém mais no Brasil tem é uma delícia! Dar um baile de 4 a 0 na final é inesquecível! Sensacional! Histórico!!