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Perdido em Brasília, sozinho no motel
“Brasília foi construída para não ter faróis, mas a cidade cresceu tanto que hoje não dá pra andar sem eles”, discursa o primeiro taxista que me conduz em Brasília, procurando justificar o trânsito entre o aeroporto e o escritório e a Quadra 505.
Assim como na avenida Paulista, não vi fios elétricos na capital federal. Não vi muitas mulheres bonitas também, assim como não vi nenhum japonês. Ouvi muitos sotaques nordestinos, pude conhecer a Câmara dos Deputados e o Palácio do Planalto, comi em lugares ruins e cheguei à conclusão de que precisaria passar pelo menos um mês em Brasília para me habituar à geografia de suas ruas planejadas.
Já considero horrível minha capacidade de localização espacial, até mesmo em São Paulo. Em Brasília, houve momentos em que tinha a sensação de já ter passado por algum lugar, mas logo em seguida o táxi passava por uma entradinha estranha e vinha de novo a sensação de “onde estou?”.
Momento deprê
Cheguei em Brasília sem saber onde me hospedaria. A moça do meu trabalho estava ligando pra vários hotéis, sem conseguir vaga em lugar nenhum. Só às 8 da noite ela conseguiu algo. “Parece que está tendo alguma convenção aí, está quase tudo lotado”. Anoto o endereço e o telefone. Quase 11 horas chego no local, um bairro feio e escuro. Não há nome na fachada. A porta está fechada. O interfone não funciona. Tento por telefone e a ligação cai após uns 15 toques. “Você pode dormir num motel”, sugere o taxista.
Que tristeza! Que desperdício! Ficar sozinho no motel é das sensações mais frustrantes que podem ocorrer a alguém sexualmente ativo. Pouco antes de chegar, o taxista, com um sotaque carioca e pinta de malandro, sugere que eu pegue “alguma companhia pra relaxar” no caminho. A idéia é tentadora, mas o cansaço depois de um dia corrido demais me desanima. “O canal adulto já vai ser suficiente”, penso, imaginando que, na verdade, o maior prazer que terei será embaixo do chuveiro.
Escrito por Damasceno às 11h37
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