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Johnny Alf, música, Lula, livros

É cada vez maior meu fascínio por bons músicos. Depois de conhecer Guinga, ontem pude ver de perto Johnny Alf, cuja fama e importância eu já tinha noção, embora nunca tivesse parado para ouvi-lo com atenção.
Ontem foi o dia de ver e ouvir de perto o dito-cujo, no Sesc Vila Mariana. Assim como Guinga, o jeito simples e educado de Johnny me cativou de cara. Apesar de ser a estrela do palco, dividiu com franqueza as palmas com os quatro componentes de sua banda, formada por contrabaixista, baterista, guitarrista e trompetista.
A voz de Johnny Alf é singular, assim como seu piano. O jeito como ele toca e canta clássicos da bossa nova como “Corcovado” e, “Chega de Saudade” é completamente diferente do estilo de Tom Jobim, João Gilberto e outros figurões daquela época.
Em entrevista à Folha, Ruy Castro define com muito mais propriedade o que quero dizer: "O Johnny Alf, sem dúvida, foi um grande precursor da bossa nova, na década de 50. É um processo que já vinha desde os anos 40, pelo menos – a bossa nova era apenas uma inovação em cima de uma bossa brasileira que já existia, a conclusão de um processo evolutivo. E o Johnny Alf, assim como o João Donato, já era bastante evoluído dentro desse processo todo – ou seja, ele já era uma bossa nova dez anos antes da bossa nova".
Virando o disco...
É cada vez maior minha desilusão com Lula. Não falo de política, nem de escândalos. E antes que alguém se assuste, não estou virando tucano e nem declarando voto nulo em outubro. É só um desabafo por algo já conhecido: o desprezo do presidente por adquirir conhecimento e pela leitura em si.
Grande novidade!! Isso não vem de hoje, óbvio, mas é recente esse incômodo com a figura pessoal de Lula. Sempre gostei de ouvi-lo, apesar de suas limitações. Ainda acho, apesar de todos os pesares, que o atual governo é superior em muitos aspectos ao de Fernando Henrique. Mas mesmo assim é cada dia maior essa bronca com o presidente.
Essa raiva voltou com tudo (mas com tudo mesmo!) ao ler um texto do Augusto Nunes hoje, em Nominimo. Faço questão de copiar o trecho que me incomodou:
Minutos antes do começo da gravação do Roda Viva no Palácio do Planalto, o jornalista Paulo Markun aproximou-se do presidente Lula para combinar um derradeiro detalhe. Em meio às palavras de encerramento, o âncora diria que estava entregando a Lula uma trilogia com as melhores entrevistas ocorridas desde a estréia do programa da TV Cultura, 18 anos atrás.
Com expressão curiosa, Lula apanhou os livros. Antes que se sentisse logrado, Markun informou que só o primeiro volume fora concluído. Os outros, ainda em preparação, paravam na capa. As páginas estavam em branco. Lula devolveu o que estava pronto e folheou os desprovidos de palavras. “Isso é que é livro bom”, comentou. “A gente nem precisa ler”. O entrevistado parecia feliz. Os entrevistadores exibiam sorrisos constrangidos.
Vale ler a íntegra do texto, que contém algumas pérolas de outras figuras importantes da política e termina com uma estocada de leve em quem governou o país por oito anos: “A boa formação intelectual não transforma um governante em estadista. Mas nunca houve um estadista que não soubesse ler e escrever”.
Escrito por Damasceno às 15h42
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