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Bananal: final de semana em três aspas
Vó Alice depois que ficou doente desenvolveu algo curioso: um gosto impressionante por contar e ouvir piadas. De preferência bem sujas. A princípio, achei estranho – acho que só tinha visto ela falar palavrão uma ou duas vezes. Mas depois me acostumei e pude ver que o humor duvidoso não está somente do lado paterno de minha família. A amostra definitiva veio depois que a vó contou a seguinte anedota:
Duas moças andavam pela rua. Ambas com saias curtíssimas e as pernas extremamente cabeludas. Nojentas até, de tanto pêlo. Dois rapazes as vêem. Um deles solta o seguinte comentário: “Se o Belo Horizonte está assim, imagina o Mato Grosso”.
No sábado à tarde, em menos de dez minutos saí de um boteco aconchegante no centro da cidade para a casa de um primo do meu primo, onde rolava um churrascão daqueles. Se eu fosse político, diria que tomei o chamado banho de povo: grelha em cima de tijolos, uns 12 bêbados sem camisa, sambão rolando, moças com pouca roupa e cerveja em quantidades monstruosas.
Depois de criar um mínimo de intimidade com o pessoal da casa, cheguei no churrasqueiro, um sujeito de uns 30 anos. Ingênuo, solto a seguinte pérola: “Como a natureza é generosa. Olha o tamanho daqueles peitos”. Minutos depois, fico sabendo que a dona dos peitos se chama Camila, tem 15 anos e é filha do camarada Agenor, o churrasqueiro.
Sábado à noite. Balada no Casarão, uma antiga fazenda que virou casa noturna em Bananal. Depois de certo horário, o pancadão come solto. A esfregação é quase generalizada. Acaba o funk, começa a tocar uns axés, depois uns technos, mas um grupo de meninas segue dançando como se estivesse tocando funk ainda. Uma delas chama a atenção de vários caras: ora a moçoila se esfrega freneticamente em um, ora em outro, depois em um terceiro, até chegar em mim. Depois, recomeça o rodízio. Galinhaça e putona são os comentários que se ouve a seu respeito. Mas a digníssima não beija ninguém e isso me intriga. Ao voltar à minha frente, seguro-a e vou seco beijá-la. “Sem chance, querido. Enjoei de beijar. Agora é só esfregação”.
Escrito por Damasceno às 11h18
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