Tudo pode virar crônica
     
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Uma lágrima

Porra, levantar no sábado, ligar o computador e ficar sabendo que o Bussunda morreu estragou meu dia.

Humoristas são caras que deviam morrer velhinhos, quando já nos fizeram rir até enjoar de suas caras engraçadas, de suas tiradas, de suas piadas bobas...

Com 43 então, é piada de péssimo gosto, sem graça nenhuma.

Como vamos aguentar mais quatro anos de Lula sem o Bussunda pra imitá-lo? E nestes quase 20 dias que restam de Copa, quem imitará Ronaldo e seus quilos a mais com tamanha perfeição? E o seringueiro que vivia de tirar leite de pau, como fica? E as propagandas da BOA? E o Tabajara? Fala sério...



Escrito por Damasceno às 12h25
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Na verdade...

De tempos em tempos, alguma expressão ou frase de efeito cai na boca das pessoas – ou ao menos das pessoas com quem convivo. Há alguns anos foi a época do “não-sei-o-que-lá”, sempre dito quando alguém estava contando uma história ou fofoca das boas. Depois, veio o irritante “entendeu?” ao final de cada frase, por mais que a mesma frase não tivesse nada para ser compreendido. Atualmente, a bola da vez é “na verdade”.

 

O “não-sei-o-que-lá” demonstrava falta de informação complementar e, em alguns casos, falta de jeito pra contar uma boa história, com um término legal e interessante. O “entendeu?” sempre me soou agressivo (quase como se eu fosse incrivelmente burro), enquanto o recente “na verdade” me parece pedante, esnobe, por mais que a intenção de meu interlocutor não seja essa.

 

Comecei a reparar no “na verdade” durante as aulas da pós-graduação. Com freqüência a palavra era dada a algum dos alunos. Somente no último sábado e na última segunda-feira contei sete “na verdade” ditos por colegas, sempre antecedendo algum comentário que necessitava de forte argumentação para ser sustentado. Em quase todos eles, no entanto, o “na verdade” inicial das frases não se justificou, pois suas opiniões não encerraram o assunto e tampouco foram boas o bastante pra convencer o restante da classe.

 

Essas pragas de linguagem surgem sabe-se lá de onde e se propagam de um jeito impressionante. Somente nesta semana, depois que comecei a reparar com mais atenção nas pessoas, já me peguei falando “na verdade” duas vezes, ambas quando fui sustentar um argumento. Me corrigi a tempo de dizer “na minha opinião” e “eu acho que”, mas não deixei de ficar incomodado. Na verdade isso é mais chato do que não-sei-lá-o-que, mas não quero discutir isso com mais profundidade, entendeu?



Escrito por Damasceno às 17h06
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