Tudo pode virar crônica
     
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Ainda vivo

Com vergonha e ainda meio sem assunto, eis que este blog volta a respirar. Trabalho novo, teclado novo, mouse diferente, mas aos poucos tento retomar isso aqui. Por ora, só dois assuntos:

Carmen e o tesão de Ruy Castro

"Como um cara consegue reunir tantas informações para fazer um catatau deste tamanho?", pergunta Damasceno-Pai ao folhear "Carmen", de Ruy Castro, largado em alguma canto da sala de casa. Para quem é jornalista ou gosta de livros-reportagem é possível ter uma boa idéia do trabalho que um livro desse porte deve exigir, ainda mais tratando-se de uma personagem morta há mais de 50 anos.

Tentei explicar o pouco que sei a respeito para meu pai, mas não fiquei satisfeito com a resposta. Falei das longas pesquisas que são feitas, das inúmeras entrevistas com pessoas que tiveram alguma relação com a biografada, da alta grana envolvida num projeto como esse, da contratação de "ajudantes" e "colaboradores", do processo de revisão, do apoio de patrocinadores... mas, sobretudo, tentei passar pra ele a dimensão do talento de Ruy Castro.

Além do talento absurdo, dá pra perceber também um baita tesão nos textos de Ruy Castro – e "Carmen" não foge dessa regra. Percebe-se claramente o quanto ele gosta da biografada, mas isso não impede que seja feito um excelente trabalho jornalístico, ao contrário do que muitas vezes se prega nas faculdades. Distanciamento, nesse caso, não é algo imprescindível.

E o tesão de Ruy Castro não é apenas por Carmen Miranda. Ele demonstra ser fascinado pelo RJ das décadas de 20 e 30, pelos artistas que despejavam seus sambas e marchinhas no colo de Carmen, pelos carnavais daquela época... Na fase americana de Carmen, aparece o mesmo sentimento pelo surgimento de ídolos como Sinatra e inúmeras divas do cinema, pelo modo como Carmen conquistou os EUA, pelos musicais de Hollywood...

O tesão de Ruy Castro é inversamente proporcional à raiva pouco contida que ele demonstra em leves pitadas nos capítulos finais, que tratam do casamento de Carmen com um aproveitador americano, das besteiras que ela fez na vida e, sobretudo, nos motivos que a levaram a ter sérios problemas de saúde – que culminaram em sua morte precoce, aos 46 anos.

A leitura é longa (550 páginas), mas para quem já leu algo do Ruy Castro sabe que cada página vale muito a pena. Em tempo: ele escreveu também biografias de Nelson Rodrigues e Garrincha, além de ter escrito "Chega de saudade", a melhor explicação para que não tem noção do que foi e do que representa a bossa nova.

José Silvério

Falar do São Paulo e do iminente triplo tetra é chato e, em respeito aos corintianos, farei silêncio sobre isso. Mas voltar a falar do José Silvério (já falei dele por aqui?) pode criar identificação até mesmo entre os que não estão em tão boa fase quanto nós, são-paulinos.

O gol de Mineiro narrado por ele ontem, na Rádio Bandeirantes, foi daqueles de arrepiar, de deixar os olhos marejados, tamanha a emoção transmitida. Seu "gooooool" é de longe o melhor do rádio e da TV do país, mas quando ele emenda o seu tradicional "e que golaço!!!" dá vontade de sair de casa, ir até o Morumbi e cumprimentá-lo.

Não resisto: que Silvério grite ainda neste anos os três tetras que todo são-paulino espera. De preferência, com golaços.



Escrito por Damasceno às 09h53
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